O dia passou em um borrão de preparativos. Mariana comandava cada detalhe com a precisão de uma coreógrafa, vestindo Lívia como se ela fosse uma boneca de porcelana prestes a ser exibida. A lingerie preta foi substituída por um conjunto ainda mais ousado: um corpete de couro vermelho que mal cobria os seios agora adornados com argolas, uma calcinha de renda quase transparente e meias de seda presas por uma cinta-liga. A peruca loira foi ajustada, os cachos caindo em cascata sobre os ombros de Lívia, e os lábios foram pintados de um vermelho escarlate que contrastava com a palidez de sua pele hormonalmente transformada. O colar de couro permanecia, o pingente em forma de cadeado balançando como um lembrete constante.
"Perfeita," declarou Mariana, dando um passo atrás para admirar sua criação. Ela mesma estava vestida para dominar: um vestido preto de látex que abraçava cada curva, botas de cano alto que batiam nas coxas e um chicote fino enrolado em sua mão direita como um acessório casual. "Vamos," disse, pegando uma capa longa de veludo e jogando-a sobre os ombros de Lívia. "Você não vai querer chamar atenção... ainda."
O trajeto até o clube foi silencioso, o ronco do motor do carro de Mariana preenchendo o vazio. Lívia olhava pela janela, as luzes da cidade passando como borrões, o coração acelerado com uma mistura de ansiedade e submissão. Quando chegaram, o lugar não parecia nada especial por fora — um prédio discreto, com uma porta preta sem placa. Mas ao entrarem, o mundo mudou. O ar estava carregado de incenso e música eletrônica pulsante, as luzes vermelhas e roxas dançando sobre uma multidão de figuras vestidas em couro, látex e correntes.
Mariana segurou a capa de Lívia e a puxou com um gesto firme, revelando-a como se removesse o véu de uma estátua. O murmúrio da multidão cessou por um instante, todos os olhos voltados para ela. Homens e mulheres, alguns com coleiras, outros com máscaras, observavam com uma mistura de curiosidade e desejo. Mariana sorriu, satisfeita, e puxou Lívia pelo braço, guiando-a até o centro do salão, onde uma plataforma circular esperava sob um holofote.
"Suba," ordenou Mariana, e Lívia obedeceu, os pés trêmulos nas botas de salto que haviam sido escolhidas para ela. A plataforma começou a girar lentamente, exibindo-a como uma peça de arte em um leilão silencioso. Mariana ficou ao lado, o chicote agora desenrolado, traçando linhas leves no ar enquanto falava com a multidão. "Esta é Lívia," anunciou, a voz cortando o som da música. "Minha criação. Meu troféu. Olhem bem, mas saibam que ela pertence a mim."
Os espectadores se aproximaram, alguns sussurrando entre si, outros estendendo as mãos como se quisessem tocar, mas recuando sob o olhar afiado de Mariana. Um homem de pele morena, com uma tatuagem serpenteando pelo braço, deu um passo à frente, segurando uma taça de algo escuro. "Posso testá-la?" perguntou, a voz grave e provocadora.
Mariana inclinou a cabeça, considerando. "Talvez," respondeu, enrolando o chicote ao redor da mão. "Mas só se eu permitir. E só do meu jeito." Ela gesticulou para Lívia descer da plataforma e a posicionou de joelhos diante do homem. "Mostre a ele o que você aprendeu," disse, os olhos faiscando com uma mistura de orgulho e controle.
Lívia, tremendo mas obediente, inclinou-se para frente, as mãos hesitantes deslizando pelas pernas dele enquanto Mariana observava. O homem riu baixo, satisfeito, e abriu a calça, revelando uma ereção que fez Lívia engolir em seco. Ela começou devagar, os lábios vermelhos trabalhando com a precisão que Mariana havia exigido dela em tantas noites de treino. A multidão assistia em silêncio, o ar carregado de tensão erótica, enquanto Mariana permanecia ao lado, o chicote agora descansando sobre o ombro como um cetro.
Quando o homem terminou, gemendo alto e derramando-se sobre o rosto de Lívia, Mariana se aproximou, limpando a bagunça com um lenço de seda que tirou do bolso. "Boa garota," sussurrou, inclinando-se para beijar a testa de Lívia, um raro momento de ternura em meio à exibição pública. Mas o olhar que lançou à multidão era puro desafio: "Alguém mais quer provar o que é meu?"
Uma mulher de cabelos curtos e piercing no lábio avançou, os olhos brilhando com interesse. "Eu quero," disse, e Mariana assentiu, empurrando Lívia gentilmente em direção a ela. "Então a tenha," respondeu, recuando para assistir mais uma vez, a rainha intocável de seu reino de prazer e poder.
A noite se desenrolou assim, com Lívia sendo oferecida e testada, sempre sob os olhos vigilantes de Mariana. Cada toque, cada comando, aprofundava sua consagração, transformando-a não apenas em uma serva, mas em um símbolo vivo do domínio de Mariana — uma obra-prima exposta para o mundo, mas eternamente acorrentada a ela.