O dia que foderam meu preconceito - Parte 2

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Caí para o lado. Guido pro outro. Nós parecíamos dois maratonistas em final de competição. Meu peito doía a cada inflada de ar. Os músculos nas minhas coxas davam pequenas contrações nervosas. Resultado do esforço de subir e sentar, subir e sentar... A nossa volta o cheiro de uísque se confundia a suor e esperma. Guido respirava entre intervalos: com as pálpebras cerradas e sorriso na face.

As formas quadradas de seu rosto em nada lembravam a do meu amiguinho de infância. Zarolho. Não até onde eu podia recordar. Dez anos nos separava. Mas a mudança fora capaz de alterar qualquer vestígio do passado. Movi os dedos do pé e o cutuquei: seus olhos se abriram.

- Espera um pouco, - arquejou – ainda não estou restabelecido.

- O que? – franzi as sobrancelhas – nem eu. Não é putaria. Quero te perguntar outra coisa...

- Sério? Jurava que ia pedir pra levar mais um pouco nessa bundinha, - ele deslizou a mão sobre minha coxa esquerda. – Hum esse cheiro. Eu conheço. Tá sentindo? Parece comida...

- Os únicos cheiros que sinto são de uísque e suor. Ei, - o chutei mais forte – você é mesmo o Zarolho?

Guido pegou meu short do chão. Forcei minhas costas para cima. Antes que eu pudesse protestar, ele desapareceu corredor adentro. Sentado, aprumei os ouvidos para a algazarra na cozinha. Cretinos! A torta, pensei, e a lembrança do sabor encheu minha boca de agua. O gosto me despertou dos pensamentos do passado para as necessidades do presente. A fome roía minhas tripas!

Os barulhos vindos da cozinha cessaram. Eu tencionei levantar, mas não passou de uma ideia, porque meus joelhos tremiam. Preciso me vestir, antes de tudo, calculei comigo mesmo.

Peças de roupa minhas e deles se espalhava por todos os lados: achei minha cueca no braço do sofá e uma camisa ao avesso no chão. Virei-a, e vesti. Ela me coube até as coxas mais ou menos. Permaneci sentado, sem força nos joelhos pra levantar de uma vez só. Linha a linha tracei as palavras bordadas no tecido da camisa. F, o, d...

- Não é foda-se o trote, - Guido disse apontando para o que eu fazia. – Está escrito assim. Mas é, FODAS E TROTE. Da hora, pode falar eu sei.

Franzi as sobrancelhas. Ele gargalhou como se aquela fosse uma grande piada universal. Mas eu continuava lendo na camisa a frase como estava escrita FODA-SE TROTE.

- Vocês são muito idiotas, saiba disso, o que raios essa frase quer dizer? – falei me arrastando para a beirada do sofá.

- Quer dizer que veadinhos calouros, fodem e trotam – Guido moveu os quadris como se tivesse montado em um cavalo. – Igualzinho você fez hoje, entendeu? Inclusive, vou precisar dela, mas pode usar agora. Depois de hoje você merece.

Levantei. Tudo a minha volta pareceu girar. Guido sustentou minhas costas, enquanto com a outra mão comia uma fatia da torta.

- Estou pronto pra outra – Xerxes gritou vindo em nossa direção.

- Vá a merda, - empurrei Guido – vocês dois, vão a merda... Eu não estou entendendo nada, eu podia, podia ir a uma delegacia agora e denunciar os dois por estupro... Estupro de menor ainda por cima.

Eles se entreolharam com as sobrancelhas franzidas. Afastei-me alguns passos, e de um só golpe arranquei o pedaço de torta da mão de Guido.

- Se for pra me entregar pra policia, e roubar minha comida, antes libera essa raba de novo – Guido gargalhou depois de golpear minha bunda com um tapa estralado.

O pedaço de torta quase voltou da minha garganta. Arregalei os olhos para ele. Pervertido!

- Conversa fiada Isma, você quis, só se fez de difícil... – Xerxes disse - E mais, esse foi seu trote de boas vindas a Universidade. Sem tintas, nem socos, só esperma e surra de pica.

Aquilo ainda não me havia ocorrido: fugi do trote durante dias pra perder a virgindade em um trote? Anta! Os nomes na camisa, a troca de sentido. Fodas e Trote, filhos da puta!, mordi meu lábio e com os joelhos moles entrei no meu quarto. Meu corpo todo agradeceu ao colchão debaixo de mim. Fechei os olhos, e pouco a pouco, uma confortável serenidade dominou todas as minhas juntas e músculos. Dormi com o cansaço de décadas.

Aos berros abri os olhos. Percebi que não eram meus gritos. Mas os de Ugo, ele urrava de algum lugar da casa. Mas não era possível entender quais palavras. O dia entrava por todas as frestas do quarto, onde a luz conseguia acesso. O cheiro. Quem cagou no quarto? Aspirei mais. Meus olhos anestesiados pelo sono arderam. Eu ainda vestia a camisa de Guido da madrugada passada. Sentei na beirada da cama, minhas coxas nuas. Pressionei minhas mãos nos lados da cabeça. A cada grito de Ugo, uma martelada de ferreiro acertava meus tímpanos.

Ao abaixar meu nariz, descobri de onde vinha o fedor. Eu mesmo. Sem banho e todo melecado de esperma seco, suor de Xerxes e Guido, além do meu. E talvez... Que humilhante!

- Porra – berrei para o lençol. Pequenas resmas de algo amarronzado e fedido se seguiam pelo tecido esticado no colchão.

Puxei o lençol no mesmo instante. Os gritos de Ugo se extinguiram. E o próprio apareceu com os braços cruzados na minha frente. Os cabelos lembravam muito o resultado de um choque elétrico. Segurei minha língua para não perguntar como aquilo havia chegado àquele ponto. Mas pelas bolsas negras debaixo dos seus olhos, percebi que a madrugada para ele não havia sido nada boa. Quanto a mim, apesar das pontadas na cabeça, e o incomodo da claridade, estava como novo. Nenhuma dorzinha nos joelhos, nem nos quadris.

- Oh Madalena arrependida, que tá mais pra Bela adormecida, os meninos fizeram a farra e você deixou? – ele perguntou. Abri a boca, Ugo a tapou com a palma da mão. – Em terra de Uísque, enxaguante bucal é coisa de louco né? Vai escovar esses dentes, depois a gente conversa... E toma um banho.

Calei. Não tinha resposta. Sujo até a alma como estava. Ugo teria toda a razão se me quisesse fora da sua casa depois de tudo. Caminhei para o banheiro certo disso. Ao me lavar, conforme agua e sabonete se espalhavam por meu corpo, alguns lugares ardiam. O foco principal era entre minhas nádegas. Meu orifício anal, ainda estava um pouco aberto, dois dedos entraram sem muita dificuldade. Bizarrice. Meu corpo todo estremeceu. Uma reverberação nascida dos dedinhos dos meus pés subiu até meu pênis. Imaginei-me de quatro, a boca cheia pelo falo quente e pesado de Guido, e os trancos vigorosos de Xerxes a me castigar o ânus.

Meu banho levou mais de trinta minutos. Não consegui conter os pensamentos: enquanto passava o sabonete gozei. Ridículo... Surreal! Você é um completo de um imbecil, me martirizei.

Saí do banheiro para o quarto, derrotado. Ugo estava sentado na beirada da cama dele, com o celular na mão. Pensei em algo para lhe dizer. Alguma coisa onde eu fosse a vitima. Eu não esperava ser o prato principal de dois marmanjos... Contudo, nunca pensei que pudesse ser tão bom ser a comida – ou o comido. Baixei as orelhas como um cachorro arteiro. Respirei fundo – com o passar dos anos pedir desculpas se torna uma tarefa pesada. E mentir não é um bom caminho, poderei.

- Perdão, - tentei - ontem foi o dia mais louco da minha vida. E eu ainda não processei...

Ugo sorriu em reação, saltou até onde eu estava e abraçou meus ombros. Seu beijo no meu rosto selou o aceite do meu pedido. Para um filho único criado em rédeas curtas, qualquer errinho é colossal. Ugo, porém, já não parecia tão furioso, apertou o abraço em volta de mim:

- Bobinho. Deixa disso. Eu estou estressado com a bagunça, - segurou em meu queixo – pelo seu rostinho, a noitada de rola valeu a pena. Que bom! Nada melhor pra começar um semestre que promete ser longo... Só preciso de ajuda para por tudo em ordem, pra variar Xerxes desapareceu, Otto está morto no quarto...

Cheirava mesmo a coisa morta dentro de casa. A sala era o principal foco: um odor adocicado bamboleava a qualquer brisa mais forte. Se não tivéssemos cuidado a modorra entrava direto pela boca. Com justa razão Ugo me deixou sozinho para limpar a sala. Em cinco minutos, os palavrões surgiram na minha mente, baixinho eu os praguejava. Em dez minutos, enquanto arrastava o sofá, soltei um “puta que o pariu” mastigado: quanta sujeira cabe debaixo de um sofá. Camisinhas, calcinhas, sutiãs, um pequeno objeto de plástico parecido com uma cobrinha, objetos esquecidos, empoeirados, exceto uma das camisinhas. De longe ela ainda parecia sebosa.

Engoli em seco, aquela eu conhecia! O pau de Guido voltou a minha mente, estremeci inteiro, não sei explicar, mas era a mesma camisinha. Antes de ele me foder sem uma... Eu sou um porra louca, fiz sexo sem camisinha!? Com um completo estranho. Ou nem tão completo assim, sentei no sofá com a vassoura ao lado.

Bufei pela boca, camisinhas, sutiãs, calcinha, sofá, nada disso se aproxima da possibilidade de reencontrar um amigo de infância durante a primeira foda.

Coincidência. Tantas coisas acontecem na vida quando menos se espera. Uma amizade incipiente ressurge, pra te foder, literalmente. Balancei a cabeça para afastar as divagações, porque se não fizesse isso logo as depravações da noite anterior viriam a toda.

Terminada a sala parti para a cozinha: nela além do fogão, geladeira e micro-ondas, uma mesa redonda de madeira com quatro cadeiras reinava soberana no centro. O vulto de Ugo passou direto pela cozinha em direção a um dos quartos. Sentei em uma das cadeiras.

O início de uma gritaria findou rápido. Uma das vozes era de Ugo, a outra trovoada, não reconheci.

- Quem manda nos meus colhões sou eu, - disse a voz rouca tremida. – Esse cara acha que pode mandar em alguma coisa. Ugo, te manca fi, você não manda em ninguém, porra, nem em você mesmo.

Todos os meus poros se eriçaram. Fechei minha mão esquerda sobre a direita, num esforço para controlar as ondas de arrepios em minha pele. O dono da voz passou para o banheiro, tão rápido quanto o som dela me atingiu. Em átimos de segundos. Como se ele tivesse acabado de sussurrar safadezas ao pé do meu ouvido, e não bradado resmungos a Ugo. Seria possível? Depois de uma noite maluca de desatinos, eu agora estaria sensível até a voz dos homens? Escondi meu rosto entre os braços semideitado à mesa.

- Faça a bondade de lavar isso direito, - Ugo grasnou ainda do corredor. – Não pensão da mamãe aqui, quem canta alto sou eu.

Ugo tinha as bochechas vermelhas. Se o rapaz aparecesse diante dele, naquele minuto, receberia uma vassourada na cabeça, sem dúvida.

- Esse que é Oto? – perguntei. Ugo moveu a cabeça de cima pra baixo. Seus lábios tremiam.

- A gente conhece pelo fedor, fica uma semana sem lavar o pau. Um seboso desse ainda acha gente que queira, só porque tem dote, e uns pelinhos no peito. Tem maluco para tudo, catinguento...

Ugo abriu a geladeira, tirou de lá alguns legumes, potinhos de plástico, garrafas. Encheu uma panela com agua, ascendeu o fogo. Ia de um lado para o outro da cozinha, com os murmúrios na garganta. Ao som do chuveiro ligado, Ugo cessou os xingamentos. Apoiado a pia meneou a cabeça, em lugar dos xingamentos, sorriu.

- Você venceu hein, - eu disse. – Há quanto tempo vocês todos vivem aqui? Já conhece os hábitos de todos? Oto parece que vai se lavar hoje...

- Eu, Xerxes e Samantha desde dois mil e um, começamos juntos. Oto e Cora no ano seguinte. – Ele mordeu o lábio inferior. – Não comenta, porque ele detesta, mas antes de você, uma menina morou aqui... Eu não queria, mas Oto insistiu. Estava caidinho pela coisinha. Na primeira festa da Universidade essa menina se soltou, deu para uns cinco de vez, fizeram vídeo e tudo.

A água começou a ferver. Ugo praguejou um palavrão, e diminuiu a temperatura. Marteladas na minha nuca subiam para a testa. Franzi as sobrancelhas. Ontem eles poderiam ter gravado alguma coisa. Meus olhos encheram de água.

- Será que eles me filmaram? – grasnei. – Estou perdido.

- Xerxes e Guilherme? – Ugo debochou. – Não, eles não iam querer que as namoradas soubessem.

Ugo encheu um copo com água gelada e me ofereceu. O compressor na minha cabeça afrouxou. Sentei na cadeira novamente. Não era o fim do mundo. Eu perdi a virgindade, sim. Com dois babacas. De maneira tosca, sem dúvida. Mas quem nunca? Engoli. Em tudo há um lado positivo. Só preciso focar nele. Além do mais, perdi o controle, tudo bem, acontece, quantas pessoas já não fizeram coisas e se arrependeram. Suspirei. Eu sou a prova viva do arrependimento. Nunca mais, pensei, nunca mais, arrotei, vou beber uísque na vida!, bateram na porta.

Ugo cantarolava Bang, com as batidas no mundo da imaginação, não pareceu ouvir a porta. Levantei, para ir até lá: e no corredor o cheiro de shampoo masculino pairava. Aspirei. Que delicia... Balancei a cabeça, para de pensar nisso, depravado, sexo com homem nunca mais, nem uísque, nem homem. Girei a maçaneta. Não é possível, assim não dá, empurrei a porta.

- Ei, ei, que falta de educação é essa Mudinho? – Guido manteve-a aberta. – É assim que você recebe seu macho?

- Cretino, - gritei. – Eu me odeio por ter deixado você se aproveitar de mim, cachorro!

Joguei minhas costas contra a porta, ele cedeu alguns passos. Mas com dois trancos colocou metade do corpo para dentro. Guido sorria, sem mostrar esforço algum. Minha nuca estava toda arrepiada. Soltei a porta de uma vez. Ele tropeçou alguns passos, mas conseguiu se firmar no joelho. Guido avançou em minha direção. Seus braços por um triz não me alcançaram. Saí da sala a passos largos. Ugo veio da cozinha com uma faca na mão deu um berro:

- Que cabaré é esse na minha casa? – o ouvi dizer. – Guilherme? Você quer que eu ligue pra Nicole agora, ou vai fazer baixaria maior?

- Ah merda, - Guido respondeu. – Qual é Mudinho, só joga a camisa para fora, tá certo? Não quero problemas.

Não respondi. Atento a conversa me mantive perto da porta. Mas eles se afastaram para a sala. As pontadas na cabeça deram lugar aos tremores de mãos. No extremo oposto do quarto em meio à pilha de roupas sujas, avistei a camisa de Guido. Uma ideiazinha peralta se insinuou pra mim, irresistível. “FODA-SE TROTE” dizia a frase estampada na camisa. Universitários, são uns imbecis, era pra isso tá escrito aqui, pensei.

Duas batidinhas dispararam meu coração, virei rápido na direção do barulho. Dessa vez reconheci a voz de Oto.

- Se tiver uma próxima dessas, - ele trovejou - desço o murro nele e em você, caralho.

Cambaleei para trás e cai de bunda na pilha de roupas. Meus joelhos tremiam: efeito do timbre grosso da voz de Oto. Mas também podia bem ser os efeitos da ressaca.

Não saí do quarto durante o restante do domingo. Reli dois capítulos de uma das disciplinas da semana. Troquei mensagens com mamãe, - antes de ela ir para igreja. Meia noite em ponto, eu acordei, suado, tremulo o cheiro debaixo dos meus cobertores não deixou dúvidas: ejaculei. Ugo dormia plácido, com uma das pernas pra fora da cama, mania pelo que eu tinha percebido. A casa estava um breu, sem sinal de vivalma no corredor ou nos quartos.

Na ponta dos pés, caminhei para o banheiro. Acendi a luz depois de fechar a porta. Eu limpava como podia, para não acordar ninguém. Os vergalhões deixados em minhas coxas e pescoço, pelas mãos de Xerxes e Guido, começavam a sumir. Desliguei a luz e saí do banheiro. Eu tateava as paredes de volta ao quarto: pisei com o pé direito no esquerdo. Duas mãos me agarraram antes de eu dar com as fuças no chão.

A escuridão não deixava ver quem era, mas pela altura não podia ser Ugo, e o cheiro não era o de Xerxes. As meninas ainda não haviam chegado. Oto. Entendi, e me adiantei.

- Desculpe, - engoli em seco – por mais cedo. E agora também, perdão mesmo.

Ele suspirou, parecia estar com os olhos presos no meu rosto e se luz houvesse ele veria minhas bochechas vermelhas.

- Vai dormir – sussurrou. Oto largou meus ombros. Em seguida, ele acendeu a luz do banheiro, não o vi.

Minhas pernas bambeavam. Consegui voltar para minha cama, apesar das arritmias no meu peito. Fechei os olhos, e súbito, as imagens voltaram: a voz no sonho era a dele. Sou depravado, sujo. Gozei com a voz de um homem que desconheço o rosto. O sono custou a voltar.

Adormeci enrodilhado aos meus joelhos: encolhido como um feto no útero. Pisquei os olhos sem os abrir. Os tremores no colchão, não conseguiram abalar meu sono. O duplo peso em cima do meu corpo, sim. Desperto. Aos pés da minha cama Ugo e uma mulher de cabelos tingidos, trocavam tapas: ela sentada na barriga dele, com as mãos em volta do seu pescoço.

- É a última vez que te aviso – a mulher gritou pra Ugo – não envolve meu nome nas tuas jogadas. Quer dá uma de cafetão? Vá, vender a mãe. Entendeu?

- A...ham – Ugo tentava confirmar.

- O rosto dele está roxo – gritei. Saltei da cama, como se isso intimidasse alguém. – Essa casa é uma loucura...

A mulher virou para mim. Suas sobrancelhas erguidas imprimiam aos seus dentes superiores mais ferocidade. Além das pontas dos cabelos tingidos de vermelhos; contrastados com os anéis metílicos na ponta do supercilio direito. Ela encostou o rosto próximo ao ouvido de Ugo, lhe disse algo e se levantou.

- Olá, - disse para mim – sou Cora, foi mal por ter caído em cima de você.

Eu assenti sem palavras. As tosses de Ugo eram os únicos sons dentro do quarto. Cora rosnou para ele e saiu do quarto. Ugo permaneceu sentado. Imaginei que meu rosto devia ter ficado igual ao de Ugo, no sábado, enquanto eu engasgava com o pau de um dos meninos. Olhei para baixo, e percebi porque aquela comparação me veio a mente, meu short estava esticado para frente. Esperei ouvir uma piada – sobre minha ereção – de Ugo, mas ele massageava a garganta.

Voltei para a cama, o barulho dos pés no corredor, me alertaram para a fila no banheiro. E também, não ia sair na frente dos outros com o pênis ereto, mesmo dentro do short. Pelo menos dessa vez não ejaculei. Ugo abriu a porta e saiu. Ele não voltou mais ao quarto.

Algumas meninas sorriram ao me verem com a camiseta de Guido, uns caras no ônibus franziram as sobrancelhas. A frase “FODA-SE TROTE”, parecia aludir a algum tipo de fraternidade dos veteranos. O bizarro é que os olhares causavam arrepios na minha nuca. Diante do portão de entrada ergui a cabeça: diferente do primeiro dia que entrei em meio à manada. Eu estava a poucos passos do departamento de Medicina, quando uma BMW começou a seguir meus passos, no meu ritmo, lento. Baixaram o vidro do carona, e uma mulher morena com um coque na cabeça, chamou:

- Ei, - ela tinha olhos orientais – essa camiseta aí, onde você conseguiu?

- Oi, um amigo me deu – menti. As sardas dela ficaram vermelhas. – Oto, conhece?

Eu coloquei uma das mãos em cima das sobrancelhas, para proteger do sol, e sem esperar vi o motorista do carro: Guilherme ou Guido ou Zarolho, aquela devia ser Nicole a namorada. Mordi a ponta do meu lábio inferior, a menina assentiu, e eles deram marcha ré. Meus batimentos cardíacos dispararam; meus pés também. A cada passada, o folego me fugia. Parei antes de chegar à minha sala. Minhas mãos começaram a tremer, coitada daquela garota, eu pensei.

E porque eu tinha de falar o nome do bruto? Engoli em seco. Antes que eu desse mais um passo, Guido impediu.

- Quietinho, vem – sussurrou no meu ouvido – que ideia de merda foi essa hein? Quer me provocar, quer, fica quieto já disse...

Ele apertava meu braço enquanto seguíamos em direção as salas de recurso para pessoas com deficiência.

- Se eu começar a gritar aqui hein? E sua namoradinha vier? Acho que vou começar a fazer iss... – nem terminei de falar. Guido puxou minha nuca, seus lábios cobriram os meus. O bigode pinicava minha boca, eu cedi, entreabri os lábios para ele: como se fosse morder uma maçã. Nossas línguas giraram uma na outra, o calor do seu hálito fresco, e do formigamento da barba provocaram arrepios por todo meu corpo.

Guido segurou minha cintura, senti seu falo duro por baixo da rouba. A quentura da carne viva, sobre minha coxa, mesmo com os tecidos impedindo o contado, estremeceram-me. Ele começou a mexer nos bolsos, olhei a nossa volta não havia ninguém. Pensei que íamos nos trepar um no outro ali mesmo, mas Guido tirou do bolso um molho de chaves e abriu uma das portas.

- Você me arranjou um problemão, - ele disse e abriu a própria braguilha – olha o tamanho.

Estar diante dos pelinhos louros descendo do seu umbigo para o cós da cueca branca, provocou em mim um calor insuportável. Avancei para Guido, puxei por sua nuca, e desci minha mão para agarrar o falo quente. Ele sorriu, as calças já arriadas no joelho, e me prensou contra a parede, de costas. Sua boca avançou em meu pescoço, enquanto com as duas mãos, segurou meu bumbum. Abri minha própria braguilha, sentindo o friozinho subir por minha barriga. Guido baixou minhas calças, o falo quente veio por entre minhas pernas, sem penetração. Mas o espaço entre elas era tão apertado, que por um momento pareceu me invadir de fato, o calor do grosso falo me esquentou ainda mais.

- Quero te chupar, - falei – deixa...

Guido flexionou seus quadris contra os meus, como se tivesse fodendo mesmo, com as mãos por baixo da minha camisa, começou a apertar meus mamilos. O seu pau endurecia ainda mais. Eu percebia entre minhas pernas, as contrações dele, babão.

- Ver você vestindo minha camisa, - resfolegou – tesão do caralho, vem, desce com essa boquinha...

Obedeci. Nossos olhos se encontraram, ele pousou a mão no alto da minha cabeça. Empurrou um pouquinho, o cheiro da rola dura invadiu minhas narinas. Eu não resisti, aspirei, meu anus contraiu. A verga reta e morena de Guido, contrastava com o restante branco do seu corpo, seu pau pesava na mão. O segurei com força, a cabeça vicejava um liquido incolor, lambi.

Coloquei só a cabeça na boca, e com a língua engoli. As arfadas de Guido, e sua pressão na minha cabeça, dizia mais que as contrações do seu pau. Saboreei como um picolé que tivesse bizarros, dezenove centímetros. Meus lábios iam flexionando conforme a parte do meio, mais grosso, ia me rasgando a boca. Senti a cabeça da rola bater no pinguelo da minha boca, Guido urrou e com as duas mãos fez a rola entrar por minha goela.

- Porra, - tirei da minha boca, toda babada – quer me matar?

Guido empurrou minha cabeça de novo, abri os lábios e como estava bem lubrificado, entrou como uma vagina entumecida. Minha goela dessa vez não reclamou a sequencia de estocadas da virilha de Guido. Seus quadris, empurravam com tudo, e apesar da minha respiração desregular, meu pênis babava. Meu anus todo arrepiava o empinei sem perceber.

O barulho ecoava pelo quartinho: com meus lábios mordi do pau, ele deu uma estremecida e urrou. Abri mais minha boca, a ponta do meu nariz começou a bater em seus pentelhos, numa dessas prensas de Guido contra minha goela. Eu respirei, e ele meteu de novo, dessa vez segurou firme, o ar me faltou, mas senti sua glande dentro da minha garganta dilatada. Como se a cabeça estivesse presa na minha garganta, gozei tremendo meus joelhos.

Guido puxou a rola de dentro de mim. Sua respiração também estava descontrolada: o rosto vermelho. Meu queixo e boca todo melecado do liquido incolor, e saliva. Como se eu tivesse acabado de derramar calda de alguma coisa na boca toda. O pau de Guido esguichou uma ejaculada mais fraca, eu abri mais a boca com a língua pra fora. Depois mais dois esguichos de esperma, mais vigorosos e grossos encheram minha boca. Eu a fechei, e engoli gota a gota.

- Guilherme! - a voz fina me atingiu. Fomos descobertos, cai para trás derrubando algumas caixas. – Guilherme, você tá aí!

Guido não pareceu preocupado, colocou o indicador em cima dos lábios para mim. Tentei controlar minha respiração em desalinho, ele puxou as calças. Guardou o pau ainda sujo de porra. Respirou fundo. Abriu a porta e saiu. Levantei e vesti minhas calças também.

- Porra Ugo, - Guido exclamou – quer me matar de susto caralho. Como me achou aqui?

- Não importa, quem tá aqui contigo hein? – Ugo disse, meu coração desacelerou. – A galhuda da Nicole não tem sorte... Vim trazer sua parte da aposta, você comeu o bestinha como eu disse não foi? Eu conheço veado encubado de longe. Xerxes tá com dorzinha de consciência, como se nunca tivesse forçado um cabaço antes.

- Ugo, você não vale porra nenhuma, - Guido exclamou – deixa o moleque em paz de agora em diante. Vamos sair daqui...

Minha cabeça começou a girar. Saí do quartinho meio zonzo. O filho da puta do Ugo tinha armado pra mim? Limpei minha boca com o braço mesmo. No caminho para a sala bebi alguns goles de água. Passei direto pela sala, estava apinhada de gente. Reconheci pelo professor. Os quarenta alunos pareciam ter vindo em peso, mas Ugo não estava entre eles. Caminhei até uma carteira vazia: no meio da sala uns caras branquinhos e malhadinhos lá no fundo, vestiam uma camisa parecida com a minha.

Ugo chegou bem depois. Ele sorriu para mim. Forcei um sorrisinho também para ele. Mas tão logo o professor nos liberou, saí sem olhar para os lados. No final do corredor do segundo pavilhão, avistei Nicole perto de um homem enorme. Barbudo. Ela apontou para mim, e o sujeito veio vindo em passadas de pernas enorme.

Ele vestia uma camiseta verde com as mangas dobradas, um pouco justa nos braços e peitoral, calças de moletom e uma correntinha prateada. O cara me encarou de longe. Estagnei no meio de outras pessoas, não havia tempo para correr. O cara desconhecido se plantou diante de mim. Ele tinha uns vinte centímetros de altura a mais que eu. A barba negra encontrava-se com o cabelo e apenas as sobrancelhas pareciam bem alinhadas. Fechei os olhos na iminência de um soco, sem imaginar o porquê.

- Quer dizer que eu dei essa camiseta a você – a voz pesada atingiu-me primeiro. O sujeito puxou de leve os ombros da camisa.

Abri os olhos e dei dois passos para trás. A mão dele fechou-se sobre meu pulso. Engoli em seco, aquela voz... Ou eu estava enganado ou ele era mesmo.

- Oto, - soltei – per...dão cara.

Meu coração desencarrilhou a martelar firme. As pálpebras dele fecharam rápido, abriram, Oto meneou a cabeça. Virou para Nicole, que estava a alguns metros de distancia. Voltou a olhar para mim, largou meu antebraço. Que homem lindo, pensei antes de correr.

+++++

PERDOEM OS ERROS E O TAMANHO SEI QUE FICOU GRANDE,

MAS AGRADEÇO QUEM COMENTOU, OBRIGADO MESMO, BJS!


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Comentários

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20/05/2020 12:23:15
Perfeitoooo continuaaa
18/05/2020 14:15:32
Continua logo. Não para não. Mto bom.
18/05/2020 12:39:41
Mais um conto de ativos caralhudos super másculos, e passivos afeminados, frágeis e submissos. Zero novidades por aqui!Boring =\
17/05/2020 22:33:32
Putz mana essa faculdade foi cursada na base do ódio né. Esse Ugo merece um babau tmb né
17/05/2020 18:43:59
Muito louco
17/05/2020 16:55:59
não custe a postar. adorando o conto. muito bom.

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